Que Brasil é Este? Reflexões sobre a Massa Construtora e as Correntes Invisíveis
[...] é fundamental que nos coloquemos como protagonistas e sobreviventes de um processo de opressão que se renova e promete ser contínuo.
O Moedor de Carne da Realidade Diária
A grande parcela da população que acorda todos os dias às 5 horas da manhã, enfrentando uma jornada dura de trabalho e a escassez de todo tipo de acesso básico, faz a si mesma a mesma pergunta diariamente: que Brasil é este?
É o retrato de um país que exclui justamente aqueles que deveria proteger e resguardar. Uma estrutura que coloca a sua massa construtora em um verdadeiro moedor de carne e ossos, demonstrando profunda indiferença perante o desequilíbrio social e a falta de justiça. As Raízes Históricas e os Dogmas de Controle
Ao olharmos para a base da formação estrutural brasileira, percebemos o quão dolorosa e difícil é a libertação dos fantasmas do colonialismo e das sequelas deixadas pelo processo de escravidão. A esse cenário histórico, somam-se doses diárias de dogmas punitivistas e mecanismos de controle religioso que moldam o comportamento coletivo.
Diante disso, surge o questionamento inevitável: como combater séculos de doutrinação estrutural?
Devemos Apostar na Força Histórica da Resistência Popular?
Ou precisamos propor algo disruptivo e inovador, focado na quebra sistemática de muros e caixas que nos limitam?
O Protagonismo dos Sobreviventes
Para transformar essa realidade, é fundamental que nos coloquemos como protagonistas e sobreviventes de um processo de opressão que se renova e promete ser contínuo. Compreender que lutar contra o racismo, o machismo e a misoginia é, sem sombra de dúvidas, a tarefa mais difícil de desconstrução social da nossa era.
É um trabalho árduo, mas indispensável para arrancar as engrenagens desse moedor e, finalmente, redesenhar o mapa da dignidade humana no Brasil.
Francisca Jesus

Historiadora e Pós Graduada em Direitos Humanos e Cidadania.
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