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Morre Marjane Satrapi, autora de Persépolis

Uma das vozes mais influentes da liberdade no século XXI

Morre Marjane Satrapi, autora de Persépolis
Foto por TIZIANA FABI / AFP

A escritora, ilustradora e cineasta franco-iraniana Marjane Satrapi morreu aos 56 anos, em Paris, encerrando uma trajetória artística marcada pela defesa da liberdade, dos direitos das mulheres e pela denúncia dos regimes autoritários. A informação foi confirmada por familiares e repercutida pelo governo francês, que classificou sua morte como uma perda irreparável para a cultura contemporânea. 


Conhecida mundialmente pela criação de Persépolis, Satrapi transformou sua própria experiência de vida em uma das obras mais importantes da literatura gráfica moderna. Publicada inicialmente em 2000, a narrativa retrata sua infância e juventude no Irã durante e após a Revolução Islâmica de 1979, abordando temas como repressão política, fundamentalismo religioso, exílio e identidade cultural. A obra foi traduzida para dezenas de idiomas e adaptada para o cinema em uma animação indicada ao Oscar em 2007. 




Segundo comunicado divulgado pela família, Satrapi teria morrido "de tristeza", pouco mais de um ano após a morte de seu marido, o produtor, ator e roteirista sueco Mattias Ripa, falecido em abril de 2025. Embora não tenha sido divulgada uma causa médica detalhada, a declaração emocionou admiradores ao redor do mundo e reforçou a profunda ligação entre o casal. 


Nascida em 1969, na cidade iraniana de Rasht, e criada em Teerã, Satrapi viveu de perto as transformações provocadas pela ascensão do regime dos aiatolás. Ainda jovem, deixou o país e passou por Viena antes de se estabelecer definitivamente na França, onde viveu desde 1994 e obteve cidadania francesa em 2006. Sua condição de exilada moldou grande parte de sua produção artística e de seu ativismo político.


Ao longo de sua carreira, Satrapi recusou simplificações sobre o Irã. Sua obra buscou mostrar a complexidade da sociedade iraniana para além dos estereótipos frequentemente reproduzidos no Ocidente. Ao mesmo tempo, manteve uma postura firme contra a repressão política e as restrições impostas às mulheres pelo regime iraniano, tornando-se uma referência internacional na defesa dos direitos humanos. 




Além de Persépolis, deixou obras marcantes como Bordados e Frango com Ameixas, ambas adaptadas para o cinema. Como diretora, também assinou produções que exploravam temas ligados à memória, à ciência, à identidade e à resistência cultural. 


A repercussão de sua morte foi imediata. Autoridades francesas, intelectuais, artistas e ativistas prestaram homenagens à autora, destacando sua capacidade de transformar experiências pessoais em narrativas universais. O presidente francês Emmanuel Macron afirmou que Satrapi foi uma artista apaixonada pela liberdade e responsável por transmitir uma mensagem universal através de sua obra. 


Marjane Satrapi deixa um legado de resistência. Sua obra permanece como testemunho de uma época, de um povo e, sobretudo, da luta permanente pela liberdade.






Jeff Soares

Jornalismo

Músico

Apresentador


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