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54 Anos de "Acabou Chorare" dos Novos Baianos

Obra Prima da Música Brasileira!

54 Anos de "Acabou Chorare" dos Novos Baianos
Imagem Internet

Há discos que marcam uma época. Outros conseguem definir uma identidade cultural inteira. Lançado em 1972, Acabou Chorare, dos Novos Baianos ― considerado por muitos como o maior álbum da Música Brasileira ― pertence a essa rara categoria de obras que ultrapassam seu tempo e permanecem vivas décadas depois. Neste aniversário de lançamento do álbum, a música brasileira celebra não apenas 54 anos de um disco histórico, mas um manifesto artístico que continua influenciando músicos, pesquisadores e amantes da cultura nacional.


Produzido em um dos períodos mais tensos da ditadura militar, Acabou Chorare surgiu como uma resposta criativa e libertária a um país marcado pela censura e pelas restrições políticas. Enquanto o Brasil enfrentava os chamados "anos de chumbo", os Novos Baianos construíam uma experiência comunitária que transformaria profundamente a música popular brasileira.


Formado por Moraes Moreira, Baby Consuelo (atualmente Baby do Brasil), Luiz Galvão, Paulinho Boca de Cantor, Pepeu Gomes e Dadi Carvalho, o grupo encontrou uma linguagem própria ao misturar samba, choro, frevo, rock, baião e a herança tropicalista deixada por artistas como Caetano Veloso e Gilberto Gil.


O resultado foi um álbum que se recusava a obedecer fronteiras musicais. Faixas como "Brasil Pandeiro", composição de Assis Valente eternizada na abertura do disco, ganharam nova vida nas mãos do grupo. Já canções como "Preta Pretinha", "Tinindo Tricando" e "Mistério do Planeta" se tornaram hinos de uma geração que buscava liberdade, afeto e novas formas de convivência. 




Muito além de uma obra musical, Acabou Chorare representou uma visão de mundo. Influenciados pelo futebol arte de Pelé, pela musicalidade de João Gilberto e pela vida comunitária que mantinham no famoso sítio em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, os integrantes dos Novos Baianos desenvolveram uma estética baseada na coletividade e na valorização da cultura brasileira.


A importância histórica do álbum foi reconhecida oficialmente em 2007, quando a edição brasileira da revista Rolling Stone o elegeu o maior disco da história da música brasileira. A escolha refletiu o consenso de críticos e especialistas que enxergam na obra uma síntese perfeita entre inovação artística e identidade nacional.


Passados cinquenta e quatro anos, Acabou Chorare continua atual. Em um cenário musical frequentemente dominado por fórmulas de mercado e produções descartáveis, o álbum permanece como exemplo de criatividade sem amarras, experimentação e autenticidade.


Seu legado pode ser percebido em artistas de diferentes gerações e estilos. Do rock alternativo à nova MPB, passando pelo samba contemporâneo e pela música independente, a influência dos Novos Baianos segue presente em quem busca dialogar com as raízes brasileiras sem abrir mão da inovação.


A celebração a Acabou Chorare é uma das expressões mais genuínas da cultura nacional. Um disco que transformou a música brasileira, rompeu barreiras entre gêneros e mostrou que a arte pode ser, ao mesmo tempo, popular, sofisticada, alegre e profundamente revolucionária. A magia criada pelos Novos Baianos continua ecoando.






Jeff Soares

Jornalismo

Músico

Apresentador


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