Campanha "Dê Block no Tigrinho"
Alerta para riscos das apostas online e ganha força nas redes sociais!
Uma campanha que vem ganhando espaço nas redes sociais e em debates sobre saúde financeira e saúde mental busca conscientizar a população sobre os riscos das apostas online. Com o slogan "Dê Block no Tigrinho", a iniciativa incentiva usuários a bloquearem perfis, anúncios e conteúdos relacionados ao popular jogo conhecido como "Tigrinho", nome pelo qual ficou popularizada a plataforma de caça-níquel virtual Fortune Tiger.
A mobilização surge em um momento de crescente preocupação com o impacto das apostas digitais no orçamento das famílias brasileiras. Organizações da sociedade civil, educadores financeiros, profissionais da saúde e influenciadores têm utilizado a hashtag da campanha para alertar sobre o aumento do endividamento, dos casos de compulsão por jogos e da falsa promessa de enriquecimento rápido divulgada em parte dos conteúdos nas redes sociais.
Segundo os organizadores e apoiadores da campanha, o objetivo não é apenas conscientizar sobre um aplicativo específico, mas promover uma reflexão mais ampla sobre a cultura das apostas que se espalhou pelo ambiente digital nos últimos anos. A mensagem central é simples: bloquear conteúdos que estimulam apostas pode ser um primeiro passo para evitar decisões impulsivas e proteger a saúde financeira.
A popularidade do chamado "Tigrinho" cresceu impulsionada por vídeos de influenciadores que exibem supostos ganhos elevados em poucos minutos de jogo. Especialistas alertam, no entanto, que esses conteúdos frequentemente não representam a realidade da maioria dos usuários. Como ocorre em qualquer modalidade de aposta, as plataformas são estruturadas para gerar lucro aos operadores, e não aos jogadores.
O vídeo da campanha reúne algumas das mais conhecidas personalidades da cultura brasileira. Entre os participantes estão os músicos Caetano Veloso, Gilberto Gil, Chico Buarque, Djavan, Paulinho da Viola, Emicida, Anitta e Ebony. Também participam as atrizes Marieta Severo, Camila Pitanga, Luisa Arraes, Julia Lemmertz, Letícia Sabatella, Cláudia Abreu, Alinne Moraes e Mateus Solano. A mobilização foi organizada pelo coletivo 342 Artes e busca ampliar a pressão por regras mais rígidas para a publicidade das apostas online, além de alertar sobre os riscos de endividamento, dependência e impactos na saúde mental causados pelas bets.

Da esquerda para a direita, Chico Buarque, Djavan, Paulinho da Viola, Marieta Severo e Caetano Veloso: artistas aderem campanha contra bets — Foto: Léo Martins/Agência O Globo Sher Santos/Agência O Globo e Daniel Ramalho/AFP
A campanha também chama atenção para o impacto psicológico das apostas. Psicólogos destacam que mecanismos como recompensas aleatórias, sensação de quase vitória e promessas de retorno rápido podem estimular comportamentos compulsivos semelhantes aos observados em outros tipos de jogos de azar. Entre os sinais de alerta estão o aumento progressivo dos valores apostados, tentativas frequentes de recuperar perdas e prejuízos à vida familiar ou profissional.
Nas redes sociais, apoiadores da campanha compartilham relatos de pessoas que perderam economias, contraíram dívidas e enfrentaram problemas emocionais após desenvolverem dependência em plataformas de apostas. Muitos desses depoimentos têm contribuído para ampliar o alcance da iniciativa, especialmente entre jovens adultos, público fortemente impactado pela publicidade digital do setor.
Além do bloqueio de perfis e anúncios, a campanha recomenda que usuários busquem informações sobre educação financeira, conversem com familiares sobre os riscos das apostas e procurem ajuda profissional caso percebam sinais de comportamento compulsivo.
O crescimento da campanha "Dê Block no Tigrinho" reflete uma preocupação cada vez maior da sociedade com os efeitos das apostas online. Em um ambiente digital marcado por promessas de ganhos fáceis e sucesso instantâneo, os organizadores defendem que a informação e a prevenção continuam sendo as ferramentas mais eficazes para proteger consumidores de prejuízos financeiros e emocionais.
Enquanto o mercado de apostas segue em expansão no Brasil, iniciativas de conscientização como essa reforçam o debate sobre os limites da publicidade do setor e a necessidade de medidas que garantam maior proteção aos usuários, especialmente aos mais vulneráveis.
Jeff Soares

Jornalismo
Músico
Apresentador
Comentários (0)