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Morre Benito di Paula, aos 84 anos: A Música Brasileira perde um de seus Grandes nomes

Cantor, compositor e pianista morreu em São Paulo, após lutar contra um câncer de próstata; dono de sucessos como “Retalhos de Cetim” e “Meu Amigo Charlie Brown”, artista deixa um legado que atravessou gerações.

Morre Benito di Paula, aos 84 anos: A Música Brasileira perde um de seus Grandes nomes
Imagem Divulgação

A música popular brasileira está de luto. O cantor, compositor e pianista Benito di Paula morreu no último domingo (18), aos 84 anos, em São Paulo, onde estava internado no Hospital 9 de Julho. O artista enfrentava um câncer de próstata havia aproximadamente um ano. A notícia de sua morte, confirmada pela assessoria, representa a despedida de uma das figuras mais marcantes da música nacional, responsável por construir uma identidade artística própria e conquistar o público com uma combinação singular de samba, romantismo e piano. Sua partida deixa uma lacuna na cultura brasileira, mas também reafirma a permanência de uma obra que continua presente na memória afetiva de milhões de admiradores.


Nascido Uday Vellozo, em 28 de novembro de 1941, em Nova Friburgo, na Região Serrana do Rio de Janeiro, Benito encontrou na música o caminho para uma carreira que ganharia projeção nacional a partir da década de 1970. Foi em São Paulo que consolidou sua popularidade, apresentando ao público um estilo que rompia com parte das convenções tradicionais do samba. Com voz marcante, interpretações intensas e o piano como elemento central de suas apresentações, o músico ajudou a popularizar uma sonoridade frequentemente associada ao chamado “samba-joia”, que aproximava a tradição do samba de arranjos românticos e melodias de forte apelo popular, rótulo que Benito não gostava muito de ostentar para ele era apenas Samba.


Entre as canções que eternizaram seu nome estão “Retalhos de Cetim”, “Meu Amigo Charlie Brown”, “Mulher Brasileira” e “Do Jeito Que a Vida Quer”. As composições ultrapassaram as fronteiras de seu tempo e conquistaram espaço em rádios, programas de televisão, apresentações musicais e reuniões familiares. “Retalhos de Cetim”, um de seus maiores sucessos, tornou-se uma referência de seu repertório, reunindo a melancolia amorosa e a cadência do samba em uma interpretação que se tornou inconfundível. Já “Meu Amigo Charlie Brown” evidenciou sua capacidade de transformar uma composição popular em um fenômeno de identificação coletiva, reforçando a proximidade entre o artista e seu público.


Foto: Clóvis de Oliveira


A importância de Benito di Paula para a música brasileira também está na liberdade com que construiu sua trajetória. Em um cenário no qual diferentes tradições musicais disputavam espaço e reconhecimento, o artista desenvolveu uma linguagem própria, sem abandonar as raízes populares que sustentavam suas composições. Seu trabalho contribuiu para ampliar as possibilidades de diálogo entre o samba e a música romântica, influenciando a percepção do público sobre o gênero e abrindo caminhos para sonoridades que se tornariam populares nas décadas seguintes. Embora sua carreira tenha vivido diferentes momentos de exposição, o repertório permaneceu vivo, demonstrando que a relevância de um músico não pode ser medida apenas pela presença nas paradas de sucesso ou pela frequência com que aparece na mídia.


Mesmo depois de décadas de estrada, Benito continuou ligado à música e à renovação de seu repertório. Em um de seus projetos mais significativos dessa fase, trabalhou ao lado do filho Rodrigo Vellozo no álbum “O Infalível Zen”, lançado em 2020, reafirmando a importância da transmissão musical entre gerações. Em 2025, sua história também foi celebrada no Carnaval de São Paulo, quando a escola de samba Águia de Ouro levou para a avenida um enredo inspirado em sua vida e obra. A homenagem demonstrou o reconhecimento de sua contribuição para a cultura popular e sua ligação com a cidade que teve papel decisivo em sua consagração artística.


A morte de Benito di Paula encerra uma trajetória de mais de cinco décadas dedicadas à música, mas não apaga a presença de suas canções na história cultural brasileira. Seu legado está nas melodias que continuam sendo cantadas, nas interpretações que marcaram diferentes gerações e na capacidade de transformar sentimentos cotidianos em música popular. Benito parte aos 84 anos, mas sua voz, seu piano e suas composições seguem como parte de uma memória coletiva que não se encerra com a despedida do artista.


O velório será realizado nesta terça-feira (20), das 9h às 15h, no Theatro Municipal de São Paulo, com acesso aberto ao público. O sepultamento está previsto para as 17h, no Cemitério Morumby, em cerimônia restrita à família. 


Tive a honra de entrevistar Benito em Pelotas em sua penúltima passagem pela cidade de Pelotas em 2014, você pode ler a entrevista na integra na matéria abaixo.







Jeff Soares

Jornalismo

Músico

Apresentador

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