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A Memória como Escolha: Por que a Gestão da Pandemia e os Direitos das Mulheres Definem o Nosso Voto

[...] Diante disso, o voto no segundo turno ultrapassa divergências partidárias e se torna um ato de responsabilidade com a vida...

A Memória como Escolha: Por que a Gestão da Pandemia e os Direitos das Mulheres Definem o Nosso Voto
Imagem Internet

A política costuma ser tratada em termos de promessas e números abstratos, mas há momentos na história recente em que ela se traduziu diretamente em vida, morte e dignidade humana. Ao olharmos para a decisão do segundo turno eleitoral, o exercício fundamental não é apenas comparar discursos, mas resgatar a memória de como a população brasileira, e em especial as mulheres, foi tratada durante a maior crise sanitária do nosso século. A tragédia da COVID-19 no Brasil ultrapassou os limites naturais de um vírus, sendo profundamente agravada por escolhas políticas deliberadas. A condução do governo de Jair Bolsonaro ficou marcada pelo atraso proposital na negociação de vacinas, pela negação das evidências científicas, pela promoção de tratamentos ineficazes e por episódios devastadores como o colapso de oxigênio em Manaus, além da constante desorganização do Ministério da Saúde com trocas sucessivas de ministros técnicos.


Nesse cenário de crise generalizada, as mulheres brasileiras sentiram o peso do colapso sanitário e social de maneira ainda mais profunda e desproporcional. Sendo a grande maioria nas profissões de enfermagem e assistência social, foram elas que sustentaram a linha de frente do Sistema Único de Saúde em jornadas exaustivas e muitas vezes sem equipamentos de proteção adequados. Nas periferias e lares de todo o país, o isolamento social necessário para conter o vírus acabou trancando milhares de mulheres com seus agressores, em um momento no qual o governo federal promovia o esvaziamento dos orçamentos voltados ao combate à violência doméstica e ao fortalecimento de redes de apoio como as Casas da Mulher Brasileira.


Somado a isso, o fechamento prolongado de creches e a falta de suporte ao trabalho de cuidado forçaram milhões de mães e trabalhadoras a deixar o mercado de trabalho, empurrando famílias chefiadas por mulheres solo para a fome e para a vulnerabilidade social, enquanto o atraso na imunização de gestantes fez do Brasil um dos países com os piores índices de mortalidade materna por COVID- 19 no mundo.


O Sistema Único de Saúde foi a grande estrutura que impediu um cenário ainda mais sombrio, mas o fortalecimento do SUS e das redes de proteção social exige um modelo de gestão baseado em financiamento contínuo, planejamento e humanidade, princípios que se opõem ao desmonte vivenciado nos últimos anos. A candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva representa justamente a retomada desse compromisso com a reconstrução do país, prevendo a recomposição do orçamento da saúde pública, o fortalecimento de programas de maternidade segura, a expansão da rede de creches, o combate rigoroso à fome e à violência de gênero e o apoio irrestrito às instituições científicas estaduais e federais.


Diante disso, o voto no segundo turno ultrapassa divergências partidárias e se torna um ato de responsabilidade com a vida, com a memória e com o futuro das famílias e das mulheres brasileiras, pois lembrar das omissões e escolhas do passado recente é a ferramenta mais poderosa para garantir que o cuidado, a ciência e a dignidade voltem a guiar o governo do nosso país.








Roberta Luzzardi


Educadora. Professora.

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