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Existe Ciência Por Trás Da Nossa Relação Com A Música?

Por Que Gostamos das Músicas Que Gostamos?

Existe Ciência Por Trás Da Nossa Relação Com A Música?
Imagem Internet

Por que uma música triste pode nos fazer chorar e, ao mesmo tempo, provocar uma sensação de conforto? Por que determinadas melodias despertam lembranças de pessoas, lugares e momentos que pareciam esquecidos? A resposta passa por uma complexa relação entre música, memória e emoções. Em entrevista ao podcast Cauê Santos Podcast, uma neurocientista Andrea Azevedo, explicou como diferentes regiões do cérebro são mobilizadas quando ouvimos uma música e por que nossa história pessoal interfere diretamente na maneira como reagimos a ela.


De acordo com Andrea, a música não é processada apenas pelo córtex auditivo. Ao ouvir uma composição, também podem ser ativados sistemas relacionados às emoções e à memória, incluindo estruturas do sistema límbico (estruturas cerebrais responsáveis pela regulação das emoções, da memória, da motivação e dos comportamentos instintivos ligados à sobrevivência). É por isso que uma determinada canção pode nos transportar imediatamente para uma situação vivida no passado. Uma música associada a um relacionamento, por exemplo, pode recuperar sentimentos ligados àquela experiência, mesmo anos depois.


Essa relação também ajuda a explicar por que algumas pessoas procuram músicas melancólicas justamente quando estão passando por momentos difíceis. A música pode funcionar como uma forma de colocar em movimento emoções que estavam “estacionadas”. O choro provocado por uma canção, nesse sentido, não necessariamente representa uma piora do estado emocional. Pode ser uma maneira de entrar em contato com aquilo que está sendo sentido e elaborar uma experiência. Ainda assim, Andrea faz uma ressalva importante: não existe uma explicação simples capaz de determinar por que cada pessoa busca determinado tipo de música.


A identificação com a história contada pela canção também exerce papel importante. Uma música sobre uma separação pode ter enorme significado para alguém que acabou de terminar um relacionamento, mas passar praticamente despercebida por outra pessoa. O mesmo acontece com músicas que abordam temas recorrentes, como amor, traição, solidão ou perda. Quando existe uma conexão com a própria história, a música ganha um significado particular.


Mas nem toda emoção musical depende de uma lembrança. Instrumentais, por exemplo, podem provocar arrepios, choro ou uma sensação de êxtase mesmo quando o ouvinte não consegue associá-los a uma experiência específica. Nesse caso, a própria construção da música — melodia, ritmo, dinâmica e harmonia — pode produzir uma experiência estética intensa. É uma demonstração de como a arte pode atingir o indivíduo de maneira sensorial e emocional.


O episódio também chama atenção para outro fenômeno: a música pode envolver diversas áreas do cérebro simultaneamente. Além do processamento auditivo, ela pode estar relacionada ao movimento, à coordenação, à percepção visual e à cognição social. É por isso que uma música pode fazer alguém dançar, cantar, lembrar, imaginar e sentir praticamente ao mesmo tempo.


No fim, talvez não exista uma resposta única para explicar por que gostamos de determinadas músicas. Nosso gosto é construído por experiências, memórias, emoções, contexto social e características individuais. Uma mesma canção pode representar felicidade para uma pessoa e tristeza para outra. E é justamente essa capacidade de adquirir significados diferentes que torna a música uma das formas de arte mais poderosas na relação entre o ser humano e suas próprias emoções.


Link do Episódio - Assista






Jeff Soares

Jornalismo

Músico

Apresentador


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