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Uma Análise Sobre Renan Santos – A Política da Agressividade

Limites que não podem ser ultrapassados

Uma Análise Sobre Renan Santos – A Política da Agressividade
Foto Divulgação/TV Bandeirantes

O primeiro debate presidencial de 2026, realizado pela Band no domingo (23), deveria ser um espaço para apresentar propostas, confrontar ideias e mostrar ao eleitor que tipo de projeto cada candidato pretende colocar em prática, alguns candidatos não compareceram. Mas, em boa parte do tempo, transformou-se em um palco para provocações, ataques pessoais e uma retórica cada vez mais agressiva.


E, nesse cenário, Renan Santos, candidato do Missão/MBL, foi quem levou a estratégia do confronto ao limite. Sua postura chamou atenção não apenas pelas críticas aos adversários ausentes, mas principalmente pela maneira como utilizou mulheres como instrumento de ataque político. O episódio envolvendo a primeira-dama Janja da Silva é emblemático.


Mulheres Não Podem Continuar Sendo Munição Política

A política brasileira já possui um histórico de ataques pessoais contra mulheres. Mulheres que entram na vida pública frequentemente são avaliadas não apenas por suas posições políticas, mas por sua aparência, seus relacionamentos, sua vida pessoal e sua sexualidade. Homens são frequentemente atacados pelo que fazem. Mulheres, na maioria das vezes, pelo que são.


É por isso que a utilização de Janja como instrumento para atingir Lula merece crítica, independentemente da posição política de quem analisa o episódio. É legítimo discordar de suas declarações, de sua atuação pública ou de suas posições políticas. Mas chamar uma mulher que sequer está no debate para dizer que seu marido estaria melhor acompanhado por outra pessoa não acrescenta absolutamente nada à discussão sobre o futuro do Brasil. É apenas agressão. E nós não podemos compactuar com isso.


Ao criticar a ausência de Lula, Renan afirmou que o presidente estaria com “aquela Janja” e que seria melhor ter comparecido ao debate porque teria “companhias melhores”. Em outro momento, insinuou que Lula estaria “bêbado ou com a Janja”. O problema está na natureza do ataque: transformar a esposa de um adversário político, que sequer era candidata e nem estava presente no debate, em objeto de deboche para atingir o marido é uma artimanha suja, questionável e mostra o nível do presidenciável.


Janja reagiu classificando as declarações como pessoais, depreciativas e de caráter misógino. Também afirmou que episódios anteriores envolvendo Renan demonstrariam um padrão de falas que, segundo ela, normalizam o desrespeito às mulheres. Renan, por sua vez, negou que sua fala tenha sido misógina e argumentou que fazer uma crítica política a uma mulher pública não deveria ser confundido com misoginia. Errou de novo.


É justamente aí que precisamos deixar claro o que é crítica política é o que é violência verbal. Existe problema quando a política abandona a discussão sobre ideias e passa a explorar a figura de uma mulher como instrumento de humilhação contra um homem. E isso se torna ainda mais preocupante quando observamos o conjunto da atuação de Renan no debate.


A Política do Choque

O candidato assumiu deliberadamente uma postura agressiva. Chamou Lula e seus eleitores de “canalhas”, atacou Flávio Bolsonaro e chegou a ser criticado por Augusto Cury, que afirmou que o nível de agressividade de Renan o “assombra” e que, embora ideias possam ter algum fundamento, a agressividade acaba sufocando o debate democrático. Renan parece compreender perfeitamente o poder desse tipo de comportamento nas redes sociais. A agressividade chama atenção. O insulto viraliza. A frase de efeito vira corte. O ataque pessoal gera compartilhamentos.


Mas há uma diferença fundamental entre produzir engajamento e produzir política pública. E essa diferença ficou especialmente evidente quando o debate chegou ao tema da segurança pública.


“Banho de sangue” Não É Política de Segurança

Renan Santos afirmou que, caso eleito, promoveria um “banho de sangue” contra integrantes de facções criminosas. Disse ainda que forças federais, guardas municipais e polícias estaduais estariam “atirando em vagabundo como se não houvesse amanhã”. 


Essa declaração é criminosa. Um crime não justifica dar poder ao Estado para praticar outro. Combater organizações criminosas é uma obrigação do Estado. Enfrentar o crime organizado exige inteligência, investigação, integração entre forças policiais, fortalecimento das instituições, presença do Estado e políticas públicas. Errou novamente. O Estado democrático não pode funcionar pela lógica da vingança. Não queremos necropolítica.


O Perigo da Banalização da Morte

O aspecto mais preocupante desse discurso é justamente sua capacidade de transformar a violência em entretenimento político. “Banho de sangue” é uma expressão construída para provocar adrenalina. Ele não explica como serão feitas as investigações. Não fala sobre prevenção. Não detalha inteligência financeira contra as organizações criminosas. Não discute a recuperação de jovens cooptados pelo crime. Ela produz uma imagem: o Estado atirando e matando.


Um presidente não pode agir como se estivesse atirando no próprio povo!


O Eleitor Merece Mais

O problema de discursos como os apresentados por Renan Santos não está apenas em seu tom. Está na possibilidade de a política continuar a premiar quem grita mais, ofende mais e promete mais violência. Se essa for a régua eleitoral, corremos o risco de transformar novamente a disputa presidencial em uma competição de quem consegue produzir o discurso mais brutal para chamar a atenção. O Brasil já conhece os resultados de uma política baseada no confronto permanente.


A democracia não exige candidatos dóceis. Exige candidatos responsáveis. Para quem pretende ocupar a Presidência da República é necessário compreender uma coisa básica: palavras têm consequências.


O eleitor merece mais.







Jeff Soares

Jornalismo

Músico

Apresentador

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