cover
Tocando Agora:

Professora Denuncia Racismo após ser abordada em padaria de Belo Horizonte

Rosália Diogo, de 62 anos, afirma que foi acusada de ter furtado uma garrafa de vinho mesmo após apresentar a nota fiscal da compra. Polícia Civil investiga o caso.

Professora Denuncia Racismo após ser abordada em padaria de Belo Horizonte
Reprodução

Um episódio ocorrido na noite do último domingo (16), em Belo Horizonte, trouxe à tona efetivamente o racismo estrutural e a forma como pessoas negras ainda são tratadas em estabelecimentos comerciais no Brasil. A professora, pesquisadora e jornalista Rosália Diogo, de 62 anos, denunciou ter sido vítima de racismo após ser abordada por funcionários de uma padaria e supermercado na região central da capital mineira. Pós-doutora em Antropologia afro-brasileira, Rosália relatou o episódio em um vídeo publicado nas redes sociais, que rapidamente ganhou repercussão. 


Segundo o relato da professora, ela havia acabado de assistir a um show do cantor Elomar, no Palácio das Artes, quando entrou no estabelecimento Mania Gostosa, localizado na região da Avenida Afonso Pena. Rosália afirma que comprou seis produtos, entre eles uma garrafa de vinho, e efetuou o pagamento normalmente no caixa.


O problema teria começado quando ela deixou o estabelecimento. De acordo com Rosália, dois fiscais a abordaram na calçada e pediram que abrisse a bolsa. Ela questionou o motivo da abordagem e ouviu de um dos funcionários que teria sido vista pegando uma garrafa de vinho. A professora confirmou que havia colocado a garrafa na bolsa, mas imediatamente apresentou a nota fiscal que comprovava o pagamento.


Mesmo assim, segundo ela, os funcionários insistiram para que abrisse a bolsa. Diante da recusa, teria sido mencionada a possibilidade de chamar a polícia. Rosália conta que uma viatura chegou a passar pelo local e que os funcionários fizeram sinal para que parasse, mas o veículo não interrompeu o trajeto. Ela então teria pedido que a Polícia Militar fosse acionada pelo telefone 190.


A situação terminou depois que os funcionários verificaram as imagens das câmeras de segurança. Segundo o relato da professora, após alguns minutos ela foi liberada. 


“Devastada moralmente e emocionalmente”

Em seu relato, Rosália afirmou ter ficado profundamente abalada com a situação. Para ela, não se trata simplesmente de uma abordagem de segurança, mas de uma experiência que precisa ser analisada dentro do contexto do racismo estrutural brasileiro.


A professora também questionou a preparação dos funcionários para lidar com clientes negros e afirmou que pretende levar o caso adiante.


“Não vou deixar barato”, declarou Rosália, ao defender que a responsabilização pelo episódio possa servir de referência para outras situações semelhantes. A repercussão nas redes sociais fez com que o caso ultrapassasse os limites de Belo Horizonte. O vídeo publicado pela professora recebeu milhares de visualizações e manifestações de solidariedade. 


Empresa afasta funcionários

O Supermercado e Padaria Mania Gostosa informou que tomou conhecimento da denúncia e abriu uma apuração interna. Em nota, a empresa afirmou que os funcionários envolvidos foram afastados preventivamente enquanto o caso é investigado e declarou que não tolera qualquer forma de discriminação. A empresa também informou que entrou em contato com Rosália para prestar esclarecimentos e manifestar-se sobre o ocorrido. 


Polícia Civil investiga

O caso foi registrado pela professora na segunda-feira (17). A Polícia Civil de Minas Gerais confirmou que está investigando a ocorrência. Até o momento, não houve conduzidos à delegacia, e a investigação deverá analisar as circunstâncias da abordagem e as imagens das câmeras de segurança do estabelecimento. 






Jeff Soares

Jornalismo

Músico

Apresentador


Comentários (0)