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Laura Cardoso, morre aos 98 anos

Uma das maiores referências da teledramaturgia brasileira! Obrigado, Laura!

Laura Cardoso, morre aos 98 anos
Foto Divulgação

Aos 98 anos, Laura Cardoso nos deixou nesta terça-feira, 18 de agosto, em São Paulo, encerrando uma trajetória de mais de oito décadas dedicada ao rádio, ao teatro, ao cinema e à televisão. A família anunciou a morte nas redes sociais da atriz, celebrando aquela que chamou de “nossa grande estrela”.


Laura não era apenas uma atriz que interpretava personagens, ela atravessou gerações, esteve na televisão quando esta ainda aprendia a existir. Entrou na casa de milhões de brasileiros. Sua carreira começou ainda muito jovem, no rádio, e se estendeu por mais de 80 anos. Foram dezenas de novelas, séries, filmes e peças. Personagens como os de Mulheres de Areia, A Viagem, Chocolate com Pimenta e tantos outros trabalhos ajudaram a construir uma espécie de álbum afetivo do Brasil. 


E existe algo particularmente bonito na trajetória de Laura: ela nunca pareceu interessada em ser uma celebridade. Queria ser atriz. Ela própria se definia como uma “operária da arte”. Dizia amar representar e estar disposta a levantar de madrugada para trabalhar. Era uma declaração simples, mas que dizia muito sobre uma geração de artistas que compreendia o ofício como dedicação, disciplina e compromisso.


Laura também recusava a ideia de que a idade deveria determinar o lugar de uma mulher na sociedade ou na arte. Não queria ser tratada como uma senhora que deveria desaparecer dos palcos e das telas. Continuou trabalhando enquanto pôde e chegou a protagonizar o curta Dona Rosinha, em 2025. 


Talvez a maior herança deixada por ela foi ter envelhecido diante de nós sem pedir desculpas. Neste país que tantas vezes transforma mulheres mais velhas em invisíveis, ela continuou ocupando espaço. Continuou sendo lembrada. Continuou trabalhando. Continuou sendo atriz. E isso, por si só, foi um ato de resistência.


Sua última aparição na televisão aconteceu na tradicional vinheta de fim de ano da Globo, em 2025. Durante a gravação, Laura fez questão de levantar da cadeira para cantar ao lado dos demais artistas. Queria estar de pé. Queria participar. Queria, mais uma vez, estar em cena. 


Laura Cardoso foi embora, e mais um lugar vazio fica na história da arte brasileira. Mas na memória continuará sempre viva. E talvez essa seja a verdadeira eternidade de um artista.






Jeff Soares

Jornalismo

Músico

Apresentador


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