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Operação Expurgo Expõe Câmara de Pelotas - Investigação de Rachadinha, Dinheiro Público e Possível Atuação de Organização Criminosa

Presidente do Legislativo, Michel Promove, e vereadores Cesinha e Cauê Fuhro Souto estão entre os alvos. Foram cumpridos 33 mandados de busca e apreensão em Pelotas e Capão do Leão; R$ 96 mil em dinheiro foram apreendidos com dois parlamentares e um assessor

Operação Expurgo Expõe Câmara de Pelotas - Investigação de Rachadinha, Dinheiro Público e Possível Atuação de Organização Criminosa
Imagem Internet

A Câmara Municipal de Pelotas foi colocada no centro de uma investigação de grande impacto político e institucional nesta sexta-feira (14), quando o Ministério Público do Rio Grande do Sul deflagrou a Operação Expurgo, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). A ação investiga suspeitas de uso irregular de recursos públicos, prática de “rachadinha”, lavagem de dinheiro e possível infiltração de organização criminosa na estrutura administrativa do Legislativo municipal. Ao todo, foram cumpridos 33 mandados de busca e apreensão contra 20 alvos, em Pelotas e Capão do Leão. 


Entre os principais alvos estão justamente três vereadores, incluindo o presidente da Câmara, Michel Ferreira Escalante, conhecido como Michel Promove (PP), além de César Brisolara, o Cesinha (PSB), e Cauê Fuhro Souto (Podemos). As diligências também alcançaram um chefe de gabinete, cinco assessores parlamentares e servidores comissionados, três guardas municipais, um ex-assessor e seis particulares, entre empresários, familiares e pessoas apontadas na investigação como possíveis interpostas pessoas. A própria sede da Câmara foi alvo de cinco mandados, incluindo gabinetes de parlamentares e locais de trabalho de servidores investigados. 


Um dos elementos que mais chama atenção na operação foi a apreensão de R$ 96 mil em dinheiro com dois vereadores e um assessor parlamentar. Além do dinheiro, os investigadores recolheram documentos, computadores, celulares e outros dispositivos eletrônicos que deverão passar por análise. O objetivo é reunir provas capazes de esclarecer como os recursos públicos teriam sido movimentados e se havia uma estrutura organizada para desviar ou ocultar valores.


Segundo o Ministério Público, uma das linhas centrais da investigação envolve a chamada “rachadinha”, prática na qual servidores comissionados seriam obrigados a entregar parte de seus salários a agentes políticos ou terceiros como condição para permanecer nos cargos. O caso, porém, vai além da suspeita de apropriação indevida de salários. O Gaeco também apura se cargos públicos da Câmara teriam sido utilizados para favorecer pessoas ligadas a uma organização criminosa, permitindo que recursos públicos fossem destinados a indivíduos ligados ao crime e conferindo a eles uma aparência de atividade profissional regular. 


O promotor de Justiça Rogério Meirelles Caldas, que coordena a investigação, classificou os fatos sob apuração como graves. Segundo ele, uma das situações investigadas envolve servidores que poderiam ter sido obrigados a devolver parte do próprio salário para manter o emprego. A outra hipótese seria ainda mais ampla: a utilização de cargos criados para atender à população como mecanismo de inserção de pessoas ligadas ao crime organizado dentro da estrutura pública. As buscas, conforme o Ministério Público, têm justamente a finalidade de recolher elementos que ainda faltam para comprovar integralmente os fatos investigados. 


A investigação também alcança suspeitas relacionadas à lavagem de dinheiro e ao uso de recursos públicos para quitar dívidas associadas à agiotagem. Isso amplia significativamente o alcance da apuração, que deixou de ser apenas uma investigação sobre eventual benefício financeiro indevido de parlamentares e passou a examinar a possibilidade de uma rede envolvendo agentes públicos, servidores e particulares. 


Manifestações de Parlamentares

Após a operação, Michel Promove afirmou que a Câmara está aberta para colaborar com o Ministério Público e que é do interesse da própria instituição esclarecer eventuais dúvidas. Em manifestação publicada nas redes sociais, o presidente afirmou que os trabalhos do Legislativo continuariam normalmente e destacou o compromisso público da Casa com os esclarecimentos. 


A manifestação, no entanto, não entrou em detalhes sobre as suspeitas específicas investigadas pelo Gaeco. Promove não comentou publicamente sobre a apreensão de dinheiro nem sobre as hipóteses de rachadinha, lavagem de dinheiro e possível infiltração de organização criminosa mencionadas pelo Ministério Público. 


O vereador Cauê Fuhro Souto também se manifestou após ter o gabinete e a residência atingidos pelos mandados. Em transmissão pelas redes sociais, afirmou ter sido surpreendido pela operação e disse estar tranquilo diante das apurações. A defesa e os demais envolvidos também têm espaço para apresentar suas versões e esclarecimentos ao longo da investigação.


Os 18 vereadores que não são investigados passaram a conviver com uma situação politicamente delicada: defender o funcionamento institucional da Câmara e, ao mesmo tempo, permitir que a investigação avance sem interferências. Parlamentares ouvidos após a operação manifestaram, de maneira geral, apoio à apuração dos fatos e à observância do devido processo legal. 


Uma Crise Que Atinge O Coração do Legislativo

A dimensão política da Operação Expurgo está diretamente relacionada ao fato de que um dos principais alvos é justamente o presidente da Câmara. Michel Promove foi eleito para comandar o Legislativo pelotense em 2026 com 16 votos, quatro abstenções e uma ausência. Por isso, a investigação não atinge apenas três mandatos individuais. Ela coloca sob escrutínio a própria estrutura administrativa da Câmara e levanta questionamentos sobre a utilização de cargos comissionados, a fiscalização dos recursos públicos e os mecanismos internos de controle do Legislativo.


A Operação Expurgo, portanto, está apenas em sua fase de investigação. As buscas realizadas na sexta-feira (14) representam uma etapa destinada à coleta de provas, e o material apreendido ainda será analisado pelo Ministério Público. O que vier a ser encontrado poderá determinar os próximos passos do caso — inclusive eventual oferecimento de denúncias à Justiça.






Jeff Soares

Jornalismo

Músico

Apresentador


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