Ritchie Blackmore e Deep Purple: Reunidos
A noite que o Rock mostrou que nada é impossível
Reencontro aconteceu ontem na noite de quarta-feira, em Nova York, ao som de “Smoke on the Water”, e transformou um simples bis em um dos momentos mais simbólicos da história do Rock. Ritchie Blackmore subiu novamente ao palco ao lado do Deep Purple. Foram 33 anos desde a última apresentação do guitarrista com a banda, em 1993. Aos 81 anos, Blackmore reapareceu diante do público do Jones Beach Theater, em Wantagh, Nova York, para tocar justamente aquilo que ajudou a transformar em patrimônio do rock: “Smoke on the Water”. E talvez a grandeza daquele instante esteja justamente no fato de que ninguém precisava de um show inteiro. Uma música bastou.

Durante décadas, a relação entre Blackmore e o Deep Purple foi marcada por genialidade, conflitos, separações e silêncios. O guitarrista foi um dos fundadores da banda, em 1968, participou de sua formação mais celebrada e ajudou a construir uma linguagem que influenciaria gerações de músicos. Sua saída definitiva, em 1993, parecia ter colocado um ponto final naquela história. Mas a história do Rock, vez ou outra, gosta de contrariar seus próprios finais.
Dias antes do show, Blackmore havia surpreendido os fãs ao revelar que pretendia participar do bis da apresentação. Disse que havia entrado em contato com Ian Gillan e que a ideia de voltar ao palco com o Deep Purple havia sido aceita. O guitarrista chegou a preparar sua velha Stratocaster, trocando as cordas depois de mais de duas décadas.
E então vieram os primeiros acordes de “Smoke on the Water”. Não era apenas uma música. Era uma viagem no tempo. Era a guitarra que ajudou a definir o Hard Rock reencontrando a banda que ajudou a colocar o gênero no mapa. Era uma fotografia viva de uma geração que envelheceu, mas que ainda reconhece, na primeira nota, o som que marcou sua juventude. O público, que já esperava ansiosamente pelo momento, explodiu.

A imprensa especializada tratou o episódio como um acontecimento histórico. Veículos internacionais destacaram a dimensão do reencontro e a importância de Blackmore voltar a dividir o palco com seus antigos companheiros depois de mais de três décadas. Vídeos da apresentação rapidamente começaram a circular pelas redes sociais, acompanhados por comentários emocionados de fãs de diferentes gerações.
E houve uma percepção curiosa entre muitos espectadores: Blackmore não precisava provar absolutamente nada. Aos 81 anos, não se tratava de demonstrar que ainda é o mesmo guitarrista de 1972. Não era uma competição. Não era uma tentativa de apagar os conflitos do passado. Era simplesmente o reconhecimento de que algumas histórias são maiores do que suas brigas.
O próprio momento carregava uma espécie de melancolia inevitável. Jon Lord, o lendário tecladista e outro arquiteto fundamental do som do Deep Purple, morreu em 2012. Outros nomes que ajudaram a construir aquela história também ficaram pelo caminho. O tempo, implacável, transformou antigos companheiros em personagens de uma era que já não existe.
Por isso, ver Blackmore novamente ao lado do Deep Purple teve algo de despedida — mesmo que ninguém possa afirmar que tenha sido. Talvez seja esse o verdadeiro significado desta noite.

O Rock sempre foi associado à juventude, à rebeldia e ao excesso. Mas existe uma beleza enorme quando seus protagonistas envelhecem e continuam capazes de provocar emoção. Blackmore não voltou para recuperar o passado. Voltou, por alguns minutos, para visitá-lo. E o público foi junto.
Durante décadas, fãs imaginaram como seria aquele encontro. Muitos provavelmente chegaram a acreditar que jamais aconteceria. Ontem, 12 de agosto de 2026, o impossível aconteceu diante de nós. Blackmore, Gillan, Roger Glover e Ian Paice, ou seja, o Deep Purple provou que determinadas histórias podem permanecer interrompidas por 33 anos sem necessariamente estar terminadas.

Como fã estou simplesmente emocionado com esse momento, jamais imaginaria que algo dessa magnitude fosse acontecer e abalar as memórias afetivas de tal forma a me fazer chorar feito criança. No fim, talvez o Rock precisasse de gás, talvez eu precisasse dessa força, dessa celebração. Obrigado Ritchie Blackmore e Deep Purple!
Jeff Soares

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