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Dia dos Pais: O Amor Que Escolhe Permanecer

[...] Há quem afirme que pai é aquele que gera. Aprendi, desde muito cedo, que ser pai é, acima de tudo, uma escolha consciente de amar.

Dia dos Pais: O Amor Que Escolhe Permanecer
Imagem Chat Gpt

Há quem afirme que pai é aquele que gera. Aprendi, desde muito cedo, que ser pai é, acima de tudo, uma escolha consciente de amar.


Minha trajetória na paternidade começou muito antes de eu me tornar pai. Iniciou-se quando um homem decidiu estender a mão a um menino e assumir uma responsabilidade que a vida não lhe impunha. Ele não era meu pai biológico, mas isso jamais diminuiu a grandeza da nossa relação. Pelo contrário, nosso vínculo foi construído com presença, cuidado, orientação, afeto, exemplos e um amor que nunca dependeu de laços sanguíneos para ser legítimo.


Meu pai era um homem profundamente amoroso. Expressava carinho nos gestos mais simples, fazia questão de estar presente e me ensinava, diariamente, o valor da honestidade, do respeito e da dignidade. Contudo, seu amor também se manifestava na educação e na firmeza. Quando necessário, ele corrigia, chamava a atenção e me indicava o caminho correto. Naquele momento, muitas vezes eu não compreendia plenamente suas atitudes. Hoje, ao olhar para trás, reconheço que cada correção era, na verdade, uma expressão de cuidado e responsabilidade. Seu propósito era formar um homem íntegro.


Por mais de quarenta anos, carreguei a certeza de ter sido amado por alguém que escolheu permanecer. Hoje compreendo que esse tipo de amor exige coragem, renúncia e um coração disposto a priorizar o bem do outro acima das próprias conveniências. A vida, no entanto, possui formas singulares de nos ensinar. Anos depois, fui presenteado com a oportunidade de exercer a paternidade de um menino chamado Heytor, que também não chegou à minha vida por laços biológicos. Foi justamente nessa experiência que muitas compreensões começaram a se revelar.


Diariamente, ele me ensina que os vínculos mais profundos não são necessariamente determinados pelo sangue, mas construídos pelo tempo compartilhado, pelas conversas, pelas preocupações, pelas risadas, pelos desafios e, sobretudo, pelo compromisso de estar presente. Foi convivendo com Heytor que compreendi, em sua total profundidade, a experiência vivida por aquele homem que decidiu cuidar de mim. Passei a entender suas preocupações, seus medos, o peso das responsabilidades e, principalmente, a grandeza do amor que o movia.


Ao mesmo tempo, Deus me concedeu o privilégio de vivenciar a paternidade biológica por meio da minha filha, Sophia. Desde o seu nascimento, meu coração foi transformado. Ela me apresentou a um amor indescritível, que se renova a cada sorriso, a cada abraço e a cada etapa de sua vida. Sophia me revelou a dimensão do que um pai é capaz de sentir e realizar por um filho. Hoje reconheço que fui abençoado por experimentar a paternidade em diferentes formas. Com Sophia, aprendi o amor que nasce com a vida. Com Heytor, aprendo diariamente que o amor também se constrói pela escolha de caminhar ao lado. Em ambas as experiências, encontro o mesmo propósito: proteger, orientar, cuidar e amar de forma incondicional.


Ser pai não biológico nunca diminuiu meu papel como pai. Da mesma forma, aquele homem nunca foi menos pai por não compartilhar comigo o mesmo sangue. O verdadeiro amor não depende de comprovação genética; ele se revela nas atitudes, na constância e na decisão de permanecer. Neste Dia dos Pais, presto homenagem a todos aqueles que escolheram amar sem obrigação. Aos pais que decidiram ficar, cuidar, corrigir quando necessário, acolher nos momentos difíceis e transformar vidas por meio da presença e do afeto.


Expresso também minha eterna gratidão ao homem que me ensinou, pelo exemplo, o verdadeiro significado da palavra “pai”. Sem saber, ele plantou em mim uma semente que hoje se manifesta na forma como procuro amar meus filhos.


Se hoje consigo exercer a paternidade com carinho, responsabilidade, firmeza e dedicação, é porque um dia alguém fez isso por mim.


Talvez este seja o maior legado que um pai pode deixar: ensinar que o amor não nasce apenas do sangue, mas da escolha de permanecer.


Em memória de Idelson Damião dos Prazeres, meu pai de coração, deixo minha eterna gratidão e saudade.






Vinicius Santana

Apresentador

Colunista 


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