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51 Anos de "Sabotage" do Black Sabbath

Lançado em julho de 1975, sexto álbum do Black Sabbath transformou batalhas judiciais pela administração da banda e pelo controle do dinheiro em uma das obras mais pesadas e criativas do heavy metal. Mas, por trás da força das músicas, já surgiam os primeiros sinais de desgaste que mudariam a história da banda.

51 Anos de "Sabotage" do Black Sabbath
Imagem Internet

Há discos que registram uma época. Outros registram o estado de espírito de seus criadores. "Sabotage", lançado em 28 de julho de 1975, conseguiu fazer as duas coisas. Cinquenta e um anos depois, o sexto álbum de estúdio do Black Sabbath continua sendo considerado um dos trabalhos mais intensos, experimentais e agressivos da história do heavy metal.


Naquele momento, o quarteto formado por Ozzy Osbourne, Tony Iommi, Geezer Butler e Bill Ward vivia o auge de sua criatividade artística, mas também atravessava um dos períodos mais turbulentos de sua carreira. A banda havia descoberto que estava sendo lesada financeiramente por seus antigos empresários e passava boa parte dos dias entre estúdios de gravação e escritórios de advocacia tentando recuperar o controle sobre sua própria carreira. A sensação de estar sendo constantemente sabotada acabou dando nome ao álbum. 


Essa tensão transborda desde os primeiros segundos de "Hole in the Sky", faixa de abertura que apresenta um Black Sabbath mais veloz e feroz do que nunca. Em seguida, a curta instrumental "Don't Start (Too Late)" funciona como uma breve pausa antes da explosão de "Symptom of the Universe", considerada por muitos músicos e críticos uma das principais precursoras do thrash metal graças ao seu riff devastador e à sua energia incomum para a época. ainda reservando espaço para "Megalomania", uma composição de quase dez minutos que alterna momentos introspectivos e explosões sonoras, refletindo o estado emocional da banda durante as disputas judiciais.


No lado B, o Sabbath amplia ainda mais seus horizontes musicais. "The Thrill of It All" mantém o peso característico do grupo, enquanto "Supertzar" surpreende ao incorporar um coro orquestral, criando uma atmosfera épica e sombria. Já "Am I Going Insane (Radio)" revela um lado quase psicodélico e irônico, destoando do peso predominante do álbum. O encerramento fica por conta de "The Writ", talvez a faixa mais pessoal do disco. Escrita em meio aos conflitos legais enfrentados pelo grupo, a música funciona como um desabafo contra aqueles que, segundo os integrantes, haviam explorado financeiramente a banda durante seus primeiros anos de sucesso. 




Apesar da turbulência nos bastidores, "Sabotage" foi recebido com entusiasmo pela crítica especializada. Até veículos tradicionalmente resistentes ao Black Sabbath reconheceram a força do álbum, que hoje é frequentemente apontado entre os melhores da discografia do grupo.


Mas o disco também marcou o surgimento dos primeiros sinais de alerta. Embora o Black Sabbath continuasse lotando arenas e realizando uma extensa turnê internacional, a exaustão física e emocional começava a cobrar seu preço. Os processos judiciais consumiam tempo e energia, a relação entre os integrantes já apresentava desgastes e o abuso de álcool e drogas tornava-se cada vez mais presente na rotina da banda.


Os anos seguintes confirmariam que aquele era um momento de transição. "Technical Ecstasy" (1976) e "Never Say Die!" (1978) dividiriam opiniões, enquanto as tensões internas culminariam na saída de Ozzy Osbourne em 1979, encerrando a formação clássica responsável por definir os alicerces do heavy metal.


Porém, "Sabotage" permanece como um paradoxo fascinante. Poucos discos conseguem soar tão furiosos, sofisticados e atuais mais de meio século após seu lançamento. É, ao mesmo tempo, o retrato de uma banda no auge de sua capacidade criativa e o registro sonoro de um grupo que começava a ruir por dentro. Um álbum que transformou frustração em arte, conflitos em riffs inesquecíveis e desespero em uma obra que continua influenciando gerações de músicos até hoje.






Jeff Soares

Jornalismo

Músico

Apresentador



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