Cinema: Homem Aranha – Um Novo Dia (Sem Spoilers)
Nem Tudo Volta – Uma Análise Pessoal
Fui assistir Homem Aranha: Um Novo Dia no cinema com meu melhor amigo. Procurei não criar tanta expectativa devido ao ‘hype’ das redes sociais, mas confesso que sai abalado. Quantas vezes eu já tiver que ser Peter Parker ao tomar decisões sérias, ao me sentir sozinho, deprimido e focado somente em trabalho, muitas vezes para salvar a pele de quem nem lembra que existo?
Nem toda verdade é absoluta, mas existe uma quase “mentira” que aprendemos desde muito cedo: a de que amanhã será um novo dia. Nem sempre é quando se lida com a saudade, a solidão e a falta daqueles que partiram. O sol nasce, os relógios seguem funcionando, as pessoas continuam atravessando as ruas como se nada tivesse acontecido. Mas há dores que não conhecem calendários. Há ausências que não respeitam amanheceres.
É por isso que Homem-Aranha: Um Novo Dia me atravessa de uma forma tão íntima. Peter Parker sempre foi um herói diferente porque nunca lutou apenas contra vilões. Sua maior batalha sempre foi contra a perda, a culpa e a solidão. Há uma tristeza silenciosa no Homem Aranha. Que continua salvando o mundo que, muitas vezes, sequer percebe que ele também precisava ser salvo. Talvez seja por isso que eu tenha me reconhecido tanto nele.
Há amores que deixam cicatrizes tão profundas que o tempo apenas ensina a escondê-las sob novas camadas de rotina. A gente continua vivendo. Mas viver não é a mesma coisa que voltar a ser quem era. Existe uma versão de nós que desaparece a cada grande decisão. Ela não morre de uma vez. Vai embora aos poucos, levando consigo a ingenuidade, a confiança e aquela esperança quase infantil de que o bem sempre encontra uma recompensa.
Ainda assim... o amanhã chega. E a felicidade não está logo ali na esquina. Nem tudo vai ficar bem como era antes. Mas seguir em frente é preciso. Apenas um pé diante do outro. Mas é preciso caminhar.
Durante o filme, percebi que inúmeras vezes precisei fazer exatamente isso. Continuar o baile. Continuei acreditando nas pessoas e continuei sonhando mesmo quando a realidade quer insistir que eu desista. É estranho como a solidão muda nossa maneira de enxergar o mundo. Ela nos torna mais atentos aos vazios do que às presenças. Mais íntimos das despedidas do que dos encontros. Mais acostumados ao silêncio do que às promessas.
Talvez Peter Parker conheça essa sensação melhor do que qualquer outro herói. Porque vestir a máscara no caso dele nunca foi sobre esconder o rosto. No fim, percebo que Homem-Aranha: Um Novo Dia não fala sobre começar de novo. Fala sobre aceitar que algumas partes de nós jamais voltarão. E, apesar disso, precisamos encontrar forças para levantar mais uma vez.
Talvez seja esse o significado mais doloroso da esperança. Ela não nasce quando tudo melhora. Ela nasce justamente quando quase não resta motivo para acreditar. E talvez o verdadeiro heroísmo não esteja em impedir que o mundo desabe. Talvez esteja em continuar vivendo depois que o nosso mundo já desabou.
Assista!
Jeff Soares

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