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REPORTAGEM | Canguçu: Não Foi Violência Doméstica, Foram Tentativas de Feminicídio

Mais uma caso de brutalidade com mulher no interior do RS!

REPORTAGEM | Canguçu:  Não Foi Violência Doméstica, Foram Tentativas de Feminicídio
Imagem Internet

Nas últimas horas um homem foi preso por supostamente agredir sua namorada sexualmente, em Canguçu, interior do estado do Rio Grande do Sul. Mas infelizmente a realidade dos fatos é bem mais cruel do que se imagina.


Na sequência dos atos de crueldade praticados pelo agressor, consta abusos físicos e psicológicos sofridos durante meses: a vítima de dezenove anos, teve o órgão genital violentado e posteriormente mutilado até o ânus pelas mãos e pés do agressor — passando a depender do uso de fraldas em razão das sequelas deixadas pelos ferimentos; também teve perda de parte da língua após sucessivas agressões — incluindo um pedaço arrancado e outro cortado posteriormente; além de maxilar deslocado, lesões nas pernas e o terror psicológico. Documentos obtidos pela reportagem apontam urgência no caso e deixando explicito que à vítima precisará de procedimentos cirúrgicos para a reconstrução dos órgãos genitais.


As agressões não constituíram um episódio isolado, vinham acontecendo há algum tempo. Havia registros anteriores de violência, ameaças e episódios reincidentes que indicavam uma escalada de brutalidade. Ainda assim, o caso continuou sendo tratado apenas como violência doméstica nas últimas semanas, sem o enquadramento compatível com a gravidade dos fatos, chegando a prisão do agressor ontem (28) pela polícia.


Segundo informações levantadas por essa reportagem, a vítima e sua genitora procuraram ajuda após as agressões mais graves. Ao vez de acolhimento, encontraram dificuldades e  tentativas de desencorajamento, o que representa um completo absurdo e uma inversão do dever de proteção às mulheres vítimas de violência.


Violência Contra Mulher Em Canguçu É Reincidente

Estudos sobre violência contra a mulher demonstram que casos reincidentes costumam seguir um padrão previsível: agressões verbais evoluem para violência física; depois surgem ameaças de morte, tortura psicológica, isolamento social e, em situações extremas, mutilações e tentativas de feminicídio. Quando esse ciclo não é interrompido, a vítima passa a viver em permanente estado de terror.


Neste caso, a violência ocorreu durante meses. Cada agressão foi mais violenta que a anterior. Cada pedido de ajuda encontrou respostas e amparo insuficientes. Embora tenha escapado de um final mais trágico, a vítima continuará convivendo diariamente com sequelas físicas e profundas marcas emocionais, deixadas por esse agressor.


Então, qual a dificuldade para que o Poder Público reconheça toda a extensão dessa brutalidade? Não foi violência doméstica, foi tentativa de feminicídio!


Além da responsabilização criminal do agressor, se espera também que às instituições garantam acolhimento, proteção, atendimento médico, psicológico e acesso efetivo à Justiça para à vítima.


Em Canguçu, não é mais um caso de violência isolado, desde o caso Cilene em 1997, a cidade assiste casos e mais casos de violência brutal contra a mulher, que infelizmente terminaram de forma trágica e políticas públicas não são implementadas para o devido combate à violência.


O caso continua em investigação pelas autoridades policiais. 






Jeff Soares

Jornalismo

Apresentador

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