Ação da Guarda Municipal contra Cozinheiros do Bem Envergonha Porto Alegre
O Estado tentando impedir a solidariedade: Nunca Conseguirão!
Na noite da última quinta-feira (23), Porto Alegre assistiu a uma cena difícil de explicar e ainda mais difícil de aceitar. Enquanto dezenas de voluntários do projeto Cozinheiros do Bem se dedicavam a distribuir refeições e cobertores para pessoas em situação de rua, a Guarda Municipal tentou interromper a ação. Independentemente das justificativas administrativas que foram apresentadas, a imagem que ficou é devastadora: agentes do poder público confrontando quem estava levando comida e proteção a quem mais precisa. Assisti a tudo pelas redes sociais de Julio Ritta, cozinheiro e gestor do projeto há onze anos.
É impossível não questionar as prioridades de uma cidade que convive diariamente com o aumento da pobreza, da fome e da população em situação de rua. Em vez de concentrar esforços para ampliar políticas públicas de acolhimento, oferecer moradia digna, garantir alimentação e atendimento social, a administração municipal acaba sendo associada a uma ação que coloca obstáculos justamente para quem tenta aliviar, ainda que temporariamente, o sofrimento dos mais vulneráveis.
O Cozinheiros do Bem não surgiu por acaso. O projeto existe porque o Estado, sozinho, não consegue atender toda a demanda social. Há anos seus voluntários ocupam um espaço que deveria ser preenchido por políticas públicas robustas. Durante a pandemia, nas enchentes que devastaram o Rio Grande do Sul e nas noites mais rigorosas do inverno gaúcho, a iniciativa mostrou que a solidariedade organizada salva vidas quando o poder público não consegue chegar a tempo.

Quando a burocracia passa a impedir que um prato de comida ou um cobertor chegue até essas pessoas, está tudo errado! A abordagem da Guarda Municipal também transmite uma mensagem preocupante. Não tinha bandido ali, por que aquele efetivo? Para quem observa de fora, a visão foi muito clara, parece que oferecer ajuda se tornou um problema maior do que a própria miséria e talvez uma visão política equivocada seja maior do que as prioridades de uma cidade que vive em alerta. Essa inversão de prioridades é incompatível com qualquer cidade que pretenda se dizer humana e comprometida com os direitos fundamentais.
É importante lembrarmos que à Constituição Federal estabelece que a dignidade da pessoa humana é um dos pilares da República. Esse princípio deveria orientar todas as ações do Estado. Porto Alegre precisa decidir que cidade deseja ser. Uma cidade que fiscaliza quem entrega comida ou uma cidade que combate as causas da fome. Uma cidade que afasta voluntários ou uma cidade que constrói pontes entre o poder público e a sociedade civil.
Até quando Porto Alegre, vai ser na verdade triste?
Jeff Soares

Jornalismo
Músico
Apresentador
Comentários (0)